HECATOMBE DE OLIVENÇA
Hoje, 22 de dezembro de 2025, marcam-se 121 anos da Hecatombe de Olivença, episódio que aqui reafirmamos como um dos maiores levantes indígenas e populares contra o coronelismo armado no Nordeste.
Em 1904, caboclos de Olivença, indígenas Tupinambá de Olivença, disseram não ao assalto político, à fraude eleitoral e à tentativa de transformar Olivença em feudo de coronéis. Defenderam, com o próprio corpo, a autonomia política, territorial e coletiva.
Entre as trajetórias atravessadas por esse levante está a de Manoel Nonato do Amaral, liderança política local, filho de Ana, indígena de Olivença, e de Raymundo Nonato. Sua história revela uma verdade incômoda: a criminalização das lideranças indígenas e populares não é uma estratégia recente, mas uma prática histórica do Estado e das oligarquias para sufocar a autonomia dos povos.
Manoel Nonato foi perseguido, preso e transformado em bode expiatório para tentar apagar o caráter coletivo e político da Hecatombe. Ainda assim, a memória não foi vencida. Seus descendentes seguem firmes no povo Tupinambá de Olivença, guardando e afirmando essa história como território.
A Hecatombe de Olivença não foi crime comum.
Foi resistência política.
Viva os caboclos de Olivença.
Viva o povo Tupinambá de Olivença.
Viva Manoel Nonato do Amaral e sua mãe, Ana.
Viva todas e todos que se recusaram a se curvar, ontem e hoje.
Referência:
MARCIS, Teresinha. A “hecatombe de Olivença”: construção e reconstrução da identidade étnica – 1904. Salvador: UFBA, 2004. Dissertação de Mestrado, 163 p.
Redação: @naiatupinamba.
* Post reproduzido a partir da postagem do Instagram
https://www.instagram.com/p/DSjMoEZDADq/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
Comentários
Postar um comentário