Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa - 21 de janeiro de 2025
* Por Reverendo Luciano Campelo
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O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, é uma data de profunda relevância para o Brasil. Instituída pela Lei nº 11.635/2007, a data busca conscientizar a sociedade sobre a importância do respeito à diversidade religiosa e combater qualquer forma de discriminação baseada em crenças ou práticas espirituais.
O Brasil, reconhecido pela sua pluralidade cultural e religiosa, enfrenta desafios significativos no combate à intolerância. Infelizmente, casos emblemáticos marcaram a história do país, evidenciando a necessidade de avanços nesse campo. Em 12 de outubro de 1995, o pastor da Igreja Universal do Reino de Deus causou grande comoção ao destruir uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante programação televisiva. Esse ato, de profundo desrespeito à fé católica, tornou-se símbolo da intolerância religiosa. Outro caso marcante foi o da yalorixá Mãe Gilda de Ogum, do Candomblé, na Bahia. Em 1999, após ser atacada verbalmente e ter sua imagem exposta em publicações pejorativas, Mãe Gilda sofreu um infarto fatal, fato que impulsionou a criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
Mais recentemente, há registros de invasões a terreiros de religiões de matriz africana, agressões verbais e físicas contra praticantes dessas crenças, além da difusão de discursos de ódio em redes sociais. Essas manifestações não apenas violam os direitos humanos, mas também atentam contra a Constituição Federal, que garante em seu artigo 5º, inciso VI, a liberdade de consciência e de crença.
No contexto da fé cristã, há ensinamentos que reforçam a necessidade de respeitar a diversidade religiosa. O livre arbítrio, concedido por Deus, é destacado em passagens bíblicas como Deuteronômio 30:19, onde se lê: "Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência." Esse versículo ressalta a autonomia individual nas escolhas espirituais. Além disso, o amor é apresentado como a essência da verdadeira religião. Em Mateus 22:37-39, Jesus afirma: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo."
A prática do amor ao próximo, independente de suas crenças, é o caminho para a construção de uma sociedade mais justa e harmoniosa. O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa nos lembra que o respeito à pluralidade não é apenas uma obrigação legal, mas também um dever moral e espiritual. É essencial que cada cidadão reflita sobre suas atitudes e contribua para um ambiente onde todas as fés sejam respeitadas e valorizadas.
* Reverendo Luciano Campelo é clérigo da IGREJA ANGLICANA DO BRASIL, frade franciscano na Ordem COMPANHEIROS DE JESUS onde responde pelo nome religioso "Frei Leão da Libertação, CJ" , ativista social militante dos direitos humanos com enfoque especial na defesa dos direitos das crianças e adolescentes e Conselheiro Tutelar.
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