Apoio à Criação do Estado da Palestina e à Condenação do Genocídio em Gaza
* Por Reverendo Luciano Campelo
Por oportunidade do evento em que a ARTICULAÇÃO PALESTINA LIVRE lança Comitê em Ilhéus/BA, no dia de hoje (11/01/2024), apresentamos nossa manifestação pública.
A criação de um Estado da Palestina é um imperativo ético, político e humanitário diante da situação crítica enfrentada pelo povo palestino, especialmente na Faixa de Gaza. A ocupação, os deslocamentos forçados e a violência sistemática praticada pelo Estado de Israel contra a população palestina configuram uma grave violação dos direitos humanos e devem ser denunciados como genocídio.
O direito à autodeterminação dos povos é um princípio consagrado no direito internacional, presente na Carta das Nações Unidas e reiterado em diversos tratados e resoluções. O povo palestino tem o direito inalienável de viver em liberdade, segurança e dignidade em seu território, com reconhecimento pleno de sua soberania e identidade nacional.
Historicamente, a região da Palestina possui uma profunda importância espiritual para diversas tradições religiosas, sendo o berço do cristianismo. Jesus Cristo nasceu em Belém, cidade localizada na Cisjordânia, território palestino ocupado. Sua mensagem de paz, justiça e compaixão ressoa como um chamado universal à defesa dos oprimidos e à busca incessante pela reconciliação e pela dignidade humana.
Os valores expressos nos Evangelhos, como o amor ao próximo, a solidariedade, a justiça social e o perdão, nos convocam a posicionar-nos contra qualquer forma de opressão, discriminação e violência. Em Mateus 25:35-40, Jesus ensina que ao acolhermos os marginalizados, estamos acolhendo a Ele próprio: "Tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era estrangeiro, e me acolhestes." Esse chamado à solidariedade deve inspirar a comunidade internacional a agir em defesa do povo palestino.
É fundamental que a paz justa e duradoura na região seja construída com base no respeito mútuo e no reconhecimento dos direitos legítimos de todos os povos envolvidos. Para isso, é imprescindível o fim imediato das ações militares desproporcionais que têm causado a morte de milhares de civis palestinos, incluindo mulheres e crianças, e a cessação das políticas de segregação, bloqueio e colonização que perpetuam o sofrimento de milhões de palestinos.
A criação de um Estado da Palestina soberano e independente, com fronteiras baseadas nas resoluções da ONU e com Jerusalém Oriental como sua capital, é uma necessidade urgente para garantir a justiça e a paz na região. Esse reconhecimento não é apenas uma questão política, mas uma obrigação moral diante do sofrimento de um povo que, há décadas, clama por liberdade e dignidade.
Assim como no Evangelho de João 8:32, onde está escrito que "conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará", é preciso que a verdade sobre o sofrimento palestino seja amplamente reconhecida e que ações concretas sejam tomadas para pôr fim à opressão e garantir a libertação de um povo que há muito tempo luta por sua existência e por seu direito à vida em paz.
* Reverendo Luciano Campelo é clérigo da IGREJA ANGLICANA DO BRASIL, frade franciscano na Ordem COMPANHEIROS DE JESUS onde responde pelo nome religioso "Frei Leão da Libertação, CJ" , ativista social militante dos direitos humanos com enfoque especial na defesa dos direitos das crianças e adolescentes e Conselheiro Tutelar.
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