Aluna sofre assédio moral por parte de professor do curso de Psicologia da Faculdade de Ilhéus
Estudantes do curso de Psicologia da Faculdade de Ilhéus se mobilizaram na última semana para denunciar o professor de Neuropsicologia, que conforme relatos seria reincidente em assediar moralmente os alunos. O caso mais recente aconteceu no final do mês de maio, quando uma estudante do 9° semestre do curso foi constrangida pelo docente. Apesar de a vítima ter registrado boletim de ocorrência, a Faculdade de Ilhéus ainda não se manifestou sobre o ocorrido.
As denúncias dizem respeito ao comportamento “ríspido, ameaçador e persuasivo” do professor da instituição, descrito pelos discentes em relatório que será entregue ao colegiado de Psicologia. Eles acrescentam que o assédio moral tem ganhado uma forma ascendente na instituição, uma vez que queixas sobre a conduta de outros profissionais também são recorrentes.
Alguns estudantes relataram ainda situações experienciadas com uma professora, alegando questões de cunho racial, com falas e perseguições sofridas durante as aulas, ao que indicam a docente teria escolhido para onde “mirar seus canhões”, baseando-se apenas na cor da pele.
Os episódios mostram como a instituição vem atuando para intervir em circunstâncias abusivas, além de escancarar uma relação meramente capitalista com os estudantes. Cabe destacar que a maioria teme formalizar as denúncias por medo de exposição e pelo receio de ter a vida acadêmica prejudicada.
A sociedade civil segue atenta a questões dessa natureza, que são de total interesse da população. Seguiremos no aguardo de demais posicionamentos da esfera policial e judicial, a fim de dar encaminhamento à reparação de danos e novas políticas internas que visem à proteção e integridade dos alunos. Até o presente momento nenhum do envolvidos se manifestou.
Vejam abaixo o conteúdo do RELATÓRIO DISCIPLINAR
INTRODUÇÃO
O vigente instrumento serve-se do ofício para relatar e documentar as numerosas queixas dos discentes do curso de Psicologia com relação ao docente Paulo Tadeu Ferreira Teixeira, responsável por ministrar as disciplinas de: “Desenvolvimento Humano II”; “Psicologia da Saúde e Hospitalar”; “Temas Transversais em Psicologia I”; e “Neuropsicologia”. Ademais, o referido docente também encontra-se sob a responsabilidade de coordenar a Clínica Escola de Psicologia e por atuar como supervisor dos seguintes campos de estágio supervisionado básico: “Grupo Operativo de Gerontologia”; “CAPS II”; “Triagem”, e do estágio específico “Hospital São José” e estágio clínico específico da abordagem de “Terapia Cognitivo Comportamental”. Nesse ensejo, espera-se que o relatório em tela seja levado em consideração como uma forma válida e legítima da expressão do desgaste psíquico que vem sido causado em grande parte dos discentes. A dificuldade de acesso ao regimento interno da instituição implica na utilização deste documento como meio de expressão das queixas e exigência de um posicionamento do Colegiado do curso. O corpo discente coloca-se à disposição para prestar maiores esclarecimentos e colaborar com um possível Processo Administrativo Disciplinar.
DO RELATO
A conduta do docente supracitado é marcada por um diálogo ríspido, ameaçador e persuasivo no trato com os discentes, haja vista que este utiliza-se da sua posição hierárquica superior para ensejar terror nos alunos, estimulando uma rigidez comportamental desproporcional à proposta educacional veiculada pela instituição de ensino, chegando a imputar fatos caluniosos à discentes escorando-se no pilar da sua autoridade. Outrossim, o difícil trato com o professor impossibilita que os interesses dos alunos sejam considerados no processo educativo, de tal modo que a vivência em sala de aula deixa de estimular a busca por conhecimento e o espaço torna-se um ambiente de imposição e silenciamento dos interesses acadêmicos particulares. A forma rígida e assediosa do docente estende-se na relação com discentes LGBTQIAPN+. Não obstante, urge mencionar que as aulas estruturam-se sob a perspectiva de referenciais teóricos desatualizados e que não condizem, na maioria das vezes, com a realidade fática brasileira, o que impede os alunos de construírem um saber-fazer pautado na realidade que encontrarão em sua futura atuação. Para além disso, no momento em que os alunos relataram suas queixas ao docente, este pouco fez em termos de adequação da sua conduta a fim de estabelecer um equilíbrio entre a demanda das turmas e a sua postura. Somado a isso, quando confrontado com dúvidas e questionamentos durante a correção da avaliação regimental, o docente apresentou um comportamento esquivo, não atendendo de forma suficiente às indagações do corpo discente, prejudicando o processo de aprendizagem.

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